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Atualizado em 07/10/2017

Escolinha do professor Barack Obama - George Nande

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O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que virou popstar mundial ao colocar a locomotiva do Tio Sam nos trilhos, deu mais uma aula de inteligência, diplomacia e serenidade, nesta semana em São Paulo. Trata-se de uma lição que temos que aprender para que o nosso abençoado Brasil navegue bem nas águas da justiça social. Para Obama, o investimento em educação, sobretudo na primeira infância, quando o cérebro da criança funciona como uma esponja e absorve todo tipo de estímulo, é fator determinante para que os países sejam bem-sucedidos ou não na economia.

Obama falou durante o Fórum Cidadão Global, organizado pelo jornal Valor Econômico com o Banco Santander/AAdvantage. Segundo ele, mesmo se não for rico em recursos naturais, um país pode ter uma economia avançada se garantir educação de qualidade que alcance a todas as crianças de maneira igualitária. "Veja Cingapura: é um país pequeno, não tem nada lá, mas seu povo é extraordinariamente bem educado e o país está indo muito bem. Mas tem muitos países grandes e com muitos recursos naturais - não vou dizer que países são esses - que estão em outra direção", afirmou Obama.

O recado serve para o Brasil, que é um país rico em recursos naturais, porém, contaminado pela corrupção e a sede de poder, onde impera a “lei de Gerson”, com uma numerosos gananciosos querendo levar vantagem em tudo. Lá nos anos 1980, Darcy Ribeiro já alertava que o País poderia gastar muito mais dinheiro na construção de presídios no futuro se não investisse já em educação. Porém, não foi ouvido. A profecia do saudoso montes-clarense se concretizou e hoje o Brasil gasta mais dinheiro com presos do que com suas crianças.

Não é hora de jogar pedra em ninguém, mesmo porque a fragilidade do nosso sistema educacional vem de muito longe, com muitos atropelos pelo meio do caminho. Mas a tragédia numa creche em Janaúba, quando crianças e uma professora morreram queimadas, após um ataque psicótico de um ex-funcionário, expõe mais uma ferida em brasa da nossa fragilidade. O momento não é de escarrar em alguém, mas desperta uma reflexão sobre como o Brasil vem cuidando do seu futuro.

Bastou ocorrer uma tragédia na cidade de Santa Maria/RS, quando muitas pessoas morreram queimadas e pisoteadas numa boate, para o País acordar para a necessidade de se adotar medidas de segurança, de escoamento e de salvamento em caso de algum acidente ou incidente. Hoje, qualquer estabelecimento tem que passar por vistorias do Corpo de Bombeiro e da Defesa Civil para funcionar em segurança. Casas de shows, estádios, ginásios, salões sociais e etc. e tal tiveram que se adaptar às normas para funcionar.

A Semana da Criança chega carregada de questionamentos e reflexões. Nesta semana, alguns alunos ficaram feridos após uma parede desabar na Escola Estadual Carlos Versiani, em Montes Claros. A estrutura já estaria comprometida e cedeu. Nossos educandários estão mesmo seguros? O Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, em Janaúba, não estava seguro. E isso já há algum tempo. Além da fragilidade do imóvel, com pouca ou apenas uma saída de escape, um servidor em avançado processo de loucura era “inimigo íntimo”. Porém, ninguém imaginava que ele poderia representar perigo.

Mais uma vez, afirmamos que não é momento de apontar o dedo para quem quer que seja. Mas, com o afastamento do vigia, outro bem preparado e com certidão de aptidão física e mental para o trabalho não deveria estar em seu lugar? E que negócio é esse de entregar atestado médico na creche, quando deveria fazê-lo na secretaria de educação? Montes Claros deve se atentar para a questão dos vigias ou seguranças. São questionamentos reflexivos provocados por uma tragédia da qual devemos tirar muitas lições para encontrarmos o rumo certo. A vida nos ensina que o que começa errado tende a terminar errado. Porém, sempre erramos e as conseqüências são dolorosas.

Montes Claros vai construir mais seis Cemeis. Palmas para a gestão do prefeito Humberto Souto. Mas tomara que os imóveis sejam amplos, seguros, tenham saídas de escape de fácil acesso, extintores e muito conforto para as crianças, que representam o futuro. E que o forro do teto seja de gesso e não de plástico, que, quando incendiado, se transforma em chuva de fogo e potencializa os estragos. Melhor ainda que os prédios tenham sistemas anti-incêndio, que aciona um dispositivo que libera água à menor ameaça de incêndio.

A sabedoria popular nos ensina que, se há de se fazer alguma coisa, que se faça bem feito; se não for para ser bem feito, que deixe pra lá e vá procurar outra coisa para fazer. Tudo meia-boca não presta, principalmente quando se lida com vidas, especialmente de crianças. Portanto, se é para educar nossas crianças, que as eduque da forma correta, bem feita; caso contrário, o feitiço pode virar contra o feiticeiro.

Quando o filho é bonito, aparecem vários pais. Então, que os frutos de nossas obras sejam filhos bonitos. Obviamente, não estamos falando de beleza estética. Mas de educação. E que a lição do professor Barack Obama sobre investimentos na educação seja levada a sério pelo País. Caso contrário, receberemos nota 0 e tomaremos bomba!

 

(*) Jornalista

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