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Atualizado em 02/10/2017

Depois, vamos comer bananas? – George Nande

Depois, vamos comer banana? Ou vamos continuar focados em resolver o problema da falta de água em Montes Claros e em outras cidades da região? Há alguns dias, escrevemos um artigo sobre a crise hídrica e a falta de planejamento da Copasa, que deveria ter construído outra barragem para abastecer a população montes-clarense a partir do início dos anos 2000, o que já seria um pouco tarde. A explosão demográfica em Montes Claros começou ainda nos anos 1980, quando a Imprensa já alardeava sobre o êxodo rural em decorrência do agravamento da estiagem no Norte de Minas, com vários recursos hídricos desaparecendo.

Entre os anos 1980 e 2000 já navegávamos em duas vertentes: o acelerado crescimento da população com o conseqüente aumento do consumo de água, e os períodos chuvosos se prolongando cada vez mais. Entretanto, a Copasa se agarrou a um laudo que ampliava a vida útil da Barragem do Rio Juramento, construída para abastecer Montes Claros por 20 anos. E lá já se vão 36 anos e a população citadina passando sede, sem poder nem mesmo acionar as descargas sanitárias para sobrar água para as primeiras necessidades. A corrida às lojas de materiais de construção à procura de caixas d’águas ficou acirrada.

Após a “crise do apagão” de energia elétrica ocorrido entre 2001 e 2002, no final do governo Fernando Henrique Cardoso, por falta de investimentos no setor, o Norte de Minas agora convive com o “secão”, novamente por falta de aplicações governamentais. Na época, FHC colocou a culpa em São Pedro pela escassez de chuvas e também no Rio São Francisco pelo baixo volume de água, insuficiente para impulsionar a geração de energia. Já o “secão” vem sendo atribuído novamente ao governo federal e ao Estado, que estariam insensíveis com a causa, especialmente a de Montes Claros, onde a crise hídrica se agrava e o rodízio no abastecimento é estendido para 48 horas.

A Câmara Municipal, a Maçonaria e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) - por requerimento do deputado Gil Pereira (PP) - esperneiam e fazem gestões em busca de soluções para a crise hídrica. Porém, o governo federal do “amigo da onça” Michel Temer continua ignorando a nossa causa. Também pudera, né? Quem venceu a eleição a rodo na região foi Dilma Rousseff (PT) e não ele. Portanto, não teria compromisso com os norte-mineiros.

Ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho até que veio aqui, mas, como Pôncio Pilatos, lavou suas mãos e deixou o abacaxi para nossas lideranças decidirem qual obra deveria ser priorizada para resolver a questão hídrica na região: a Barragem de Jequitaí ou a de Congonhas? Prova de que os governos não estão nem aí para a região é que demoraram tanto em nos mandar ajuda que o Rio Congonhas secou e o Jequitaí caminha para o mesmo fim. O Rio Pacuí surgiu como salvador da lavoura, mas os usuários temem sua morte e a Copasa já admite trazer água do Rio São Francisco.

Animadoras previsões de chuvas chegaram a ser feitas por institutos de meteorologia, na semana passada, mas acabaram aparecendo de forma tímida nesta semana e só Deus sabe quando voltará a chover em abundância em Montes Claros. Devemos continuar rezando, pedindo socorro divino para chover em nossa região, porque socorro governamental consistente continua distante, ainda mais em meio a tanta confusão política e denúncias de corrupção. Que Deus nos mande muita chuva!

E que não façamos como os macacos-pregos do peito amarelo. Sempre que chovia na floresta, sentindo frio, eles se abrigavam debaixo das galhas de árvores e prometiam que construiriam suas casas quando a chuva cessasse. Porém, quando estiava, eles abandonavam o sonho da casa própria e iam comer bananas. Tememos que, com a chegada da chuva, com a graça de Deus, em abundância, os projetos para represar água não sejam esquecidos, porque outros rigorosos períodos chuvosos podem nos matar de sede mais adiante. Depois, vamos comer bananas ou edificar barragens para nos garantir água no futuro?

 

(*) Jornalista

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