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Atualizado em 18/08/2017

Crise hídrica - George Nande

Já há alguns dias, acompanhamos uma comitiva da Câmara Municipal de Montes Claros a uma visita à Barragem de Juramento, para verificar in loco a situação do reservatório, que estava com aproximadamente 25% de sua capacidade. O nível da água baixou tanto que estradas surgiram no seu leito (quase de morte), evidenciando sim a necessidade do racionamento do abastecimento de água à população. Diante de nossos olhos, um quadro desolador. Tem toda razão a gerente do Distrito Regional da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) em Montes Claros, Mônica Ladeia, quando diz que é preciso acabar com a cultura do desperdício, que segue imperando no município.

Entretanto, o que mais nos chamou a atenção ocorreu antes da visita à represa, o que não foi explorado por nós jornalistas. A Barragem do Rio Juramento foi construída para abastecer a capital simbólica do Norte de Minas por 20 anos. Concluída em 1981, sua vida útil iria até 2001. Porém, a Copasa teria contratado uma empresa para fazer um estudo sobre a real situação do reservatório, quando ficou constatado que ele estaria com boa impermeabilidade, levando a concessionária a prolongar assim a sua vida útil, que já passa dos 35 anos. Até aí, tudo bem. A barragem está em boas condições e abastecendo a população.

Contudo, o fornecimento vem sendo feito de forma precária quanto ao volume de água da represa, que neste momento deve estar um pouco acima dos 20% da sua capacidade. Mesmo com a empresa especializada atestando as boas condições da barragem quanto à sua impermeabilidade, a Copasa deveria ter se mobilizado, naquela época, para viabilizar um novo reservatório para abastecer a população de Montes Claros, que teve uma explosão demográfica entre os anos 1980 e 2000, período em que o município passara a conviver com secas mais prolongadas, motivadas por uma série de fatores, principalmente ambientais.

Com as chuvas se rareando e a população aumentando de forma acelerada, naturalmente, cresceria também o consumo de água, tendo na ponta do processo a cultura do desperdício, que perdura em Montes Claros, mesmo com a crise hídrica, como a todo o momento surgem denúncias e fotos nas redes sociais. A expressão “morrer de sede” é pesada e dolorosa, mas trata-se de uma realidade dura, nua e crua, sem qualquer pudor. Muitos animais, lavouras, pastagens e até rios, lagos, lagoas, córregos e regatos estão, literalmente, morrendo de sede com a falta de chuvas. E todos nós também estamos ameaçados de morrer de sede, se Deus não tiver piedade.

Considerada a melhor opção para salvar a nossa pele, a Barragem de Congonhas aparece como sonho e pesadelo ao mesmo tempo, apesar da luta e dos esforços do deputado Gil Pereira, “o senhor das barragens”, em torná-la realidade, assim como as barragens de Jequitaí e Berizal. Sobre a captação no Rio Pacuí, as opiniões se divergem, com alguns apostando na possibilidade para abastecer Montes Claros e outros duvidando e ressaltando que a estratégia pode até mesmo matar o manancial (mais um). Enquanto isso, fica a expectativa de todos para o retorno das chuvas, já a partir de setembro.

Deus queira!

Porém, tememos que venha a ocorrer como num texto que lemos num livro de Português lá nos tempos da Escola Polivalente. Toda vez que chovia na floresta, os macacos-pregos-de-peito-amarelo se amontoavam debaixo das galhas das árvores para se proteger. Sentindo frio, prometiam que, quando estiasse, construiriam suas casas para não sofrer na próxima chuvarada. Porém, quando a chuva passava, deixavam de lado o sonho da casa própria e iam comer bananas. Tomaram que, mesmo que venha a chover com abundância na região, nossos sonhos não sejam protelados, como acontece com freqüência, nos tempos das vacas gordas! Oxalá!

 

(*) Editor-chefe

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