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Atualizado em 13/07/2017

Corpo Fechado? - Wagner Gomes

No auge do mensalão foi atribuída a Lula da Silva as peculiaridades do teflon, com o significado de que nada grudava nele, apesar de todas as evidências. Assim, seus companheiros foram caindo um a um, e o presidente seguia firme, tão firme que elegeu um poste para sucedê-lo. Agora, nas pesquisas eleitorais para a sucessão de 2018, quando ele se encontra cercado de denúncias de corrupção e réu em diversas ações, lá está ele, uma vez mais, ocupando, na crista da onda, a preferência de seu fiel eleitorado.

Como um fenômeno diametralmente oposto, surge a figura do Presidente Temer. Tal como Lula, bombardeado por todos os lados e cercado da desconfiança da Nação, ele segue de pé e, demonstrando uma articulação política sem precedentes que sua antecessora não teve, nos passava a impressão de que conseguiria chegar ao final de seu mandato. Temer se pôs a jogar um xadrez intrincado, substituindo peões no poder judiciário, incluindo, de quebra uma sucessão na PGR fora da tradição que se desenhava naquela instituição.

Enquanto Lula se ancorava em sua popularidade, a força de Temer estava em sua impopularidade. Enfrentando os artistas, os partidos de esquerda e os pseudos formadores de opiniões nas redes sociais, foi, aos poucos, desarticulando a teia de influência montada pelo PT ao longo de três mandatos e meio à frente da Presidência da República. Ele seguiu resistindo aos meios de comunicação e aos movimentos sociais e centrais sindicais, que não conseguiram mobilizar a população para uma marcha em igual proporção àquelas que defenestraram, para sempre, Dilma Rousseff e seus asseclas. Nessa cruzada, teve a sorte de contar com um Congresso submisso e temeroso dos efeitos da justiça, cuja principal trincheira foi erguida em Curitiba, para desespero de alguns membros, perfeitamente identificáveis no STF, que não suportam compartilhar o brilho fácil dos holofotes.

Como ninguém quer perder o seu mandato e, por via de consequência, sua imunidade parlamentar, essa base de apoio, movida pelo seu interesse comum, agarrou-se ao mandato do Temer como tábua de salvação. Se antes, durante mais de treze anos, éramos reféns daquilo que a banda boa do judiciário identificou como ORCRIM, hoje continuamos reféns da situação gerada por aqueles antigos atores e pela nova situação que a sucedeu. A mesma Dilma que classificou o Temer como um fraco, experimentou a sua fortaleza nas articulações políticas, através das quais domou e fez o Congresso se dobrar aos seus caprichos. Temer, mesmo sem as características do teflon, aparentava, até aqui, ter o seu corpo fechado, não pela proteção da umbanda, mas sim por conhecer, como ninguém, o caminho das pedras no mundo político. Ele teve momentos de coragem, não se pode negar. Demitiu dezenas de milhares de colaboradores petistas, que se mostravam verdadeiros penduricalhos na máquina aparelhada do governo, enfrentando, também, os artistas e intelectuais que viviam mamando nas benesses da Lei Rouanet. Ao fazer cessar as verbas que alimentavam a mídia alternativa e enfrentar o fantasma que alimenta a estrutura profissional dos sindicatos, ele vai desarticulando e minando a fonte do poder de Lula.

Com uma equipe econômica do maior gabarito foi, aos trancos e barrancos, pavimentando uma nova ordem econômica. Alternando, aos olhos do País, movimentos que ora mereciam aplausos e ora mereciam veemente repúdio, pelas características nada republicanas, ele resistiu e se fortaleceu. Irônico e mordaz, espalhou versões, através de seus pronunciamentos e dos de seus asseclas, que denegriam a honra de quem o atacava. Trocando em miúdos: partiu para o tudo ou nada. Se querem guerra, agora é guerra.

O Brasil está conhecendo o verdadeiro Temer e sua capacidade de barganha. Ao que tudo indica não vai sobreviver até 2018. Ainda assim, vai nos entregar um Brasil melhor do que recebeu. De qualquer forma, no entanto, terá um encontro com a justiça, ao perder a sua imunidade em algum lugar do futuro, quer seja próximo ou remoto.

 

(*) Administrador de empresa

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