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Atualizado em 30/06/2017

República dos insensatos - Wagner Gomes

É ruim ter que voltar a um tema que está ficando muito recorrente. Refiro-me aos arroubos de alguns magistrados isentos da virtude da modéstia, que querem impor ao Brasil uma espécie de democracia tutelada. No afã de praticarem uma justiça de compadrio, fingem esquecer as características de um contrato sinalagmático, como o da delação premiada, após firmado pelas partes de direito envolvidas e homologado pelo STF, através de seu representante legal.

Felizmente, ainda temos vozes sensatas no mundo jurídico, a exemplo do ministro Luís Roberto Barroso, que, ao trocar farpas com o boquirroto e seu homólogo Gilmar Mendes, deixou claro que não concordava com a esdrúxula posição pelo último apregoada, no sentido de uma eventual invalidação de uma gravação ambiental no acordo de colaboração premiada já firmado.  Essa resistência do Ministro Barroso – e daqueles que o seguiram – é salutar, pois diferentemente do fórum representado pelo TSE, os representantes do STF não se intimidam por aqueles que acham que a justiça deva se dobrar à política. Daqui a pouco, todas as faltas cometidas por Lula, comprovadas por um sem-número de testemunhos, evidências de toda a magnitude e provas incontestes, seriam anuladas na vã ilusão de que o brasileiro é burro e se intimida – ou se inebria - com fanfarronices. Só faltaria divulgar que o triplex do Guarujá e o sítio de Atibaia pertencem, na realidade, ao Temer.

Os tribunais têm que funcionar com o único escopo de mostrar ao país que o crime não compensa. E ponto final. A vencer a premissa defendida por Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, estaria sendo afastada a possibilidade de que Antônio Palocci, Eduardo Cunha, Henrique Alves e Lúcio Funaro venham a integrar o rol dos delatores. Nunca é demais a releitura, desde que preservado o senso crítico, do artigo do Dr. José Roberto Batochio ao Estadão, em 20/06, no qual ele nos lembra que a primeira delação premiada registrada na História do Brasil foi levada a efeito por Joaquim Silvério dos Reis, o conhecido traidor da inconfidência, que levou à forca Tiradentes, nosso herói nacional, enquanto ele, o traidor, foi condecorado.

É bem verdade que, a julgar pelo tamanho das benesses, recentemente concedidas, é possível a ilação de que a história esteja se repetindo. Ainda assim, o Ministro Marco Aurélio Mello enfatiza que o MP não poderia definir penas, mas concede que o Ministério Público, no caso da JBS, fez um "bom negócio jurídico-penal". O fato é que em nossa república de insensatos há lugar para tudo. A exemplo dos argumentos falaciosos já propagados por Lula e Dilma, agora é Temer quem se diz vítima de uma conspiração daqueles que não se conformam com o sucesso de seu governo.

E o que dizer do Aécio, após ele ter admitido o recebimento de "empréstimo", na tentativa de explicar o inexplicável? Até o procurador-geral da República está oferecendo uma saída judicial para dezenas de políticos acusados exclusivamente de caixa 2, "sem um ato correspondente de corrupção". Com isso, ele abranda seu ponto de vista inicial, e já parte do princípio de que caixa 2 não é corrupção. Essa é a mesma tese que Lula defende desde o mensalão. Em um ponto, todos os investigados estão de acordo: eles são perseguidos pela mídia golpista.

A propósito, alguém aí acredita em antecipação de eleições gerais? Essa saída é balela, pois o Congresso jamais abriria mão de trocar o certo pelo duvidoso. Perder o mandato através de uma eleição, com a consequente perda da imunidade parlamentar, é uma hipótese que não passa pela cabeça de nossos valorosos parlamentares. Eles temem a justiça da República de Curitiba, na qual os valores de Moro, bonitos por natureza, refletem o nosso país tropical, abençoado por Deus.

Mas cá pra nós: diante da evidente erosão de seu capital político, melhor seria a imediata renúncia do Temer, com a consequente eleição de um cidadão acima de qualquer suspeita – é difícil, mas deve haver! -, para a travessia que esperamos não colidir com a Constituição capenga que ainda temos. Se o que ela determina não é o ideal, então que se a reforme através de uma Constituinte Exclusiva e não com penduricalhos que atendam interesses de plantão.

 

(*) Administrador de empresas

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