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Atualizado em 22/06/2017

Divagando – Wagner Gomes

"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente" - JidduKrishnamurti

A República Investigada do Brasil segue, incrédula, à espera de um fato redentor, diante de tantas provas oceânicas. Enquanto isso, Gilmar Mendes e alguns outros colegas da mais alta magistratura – aqueles que compõem o bloco dos que não temem a opinião pública ou o ridículo -, tentam impor as suas ideias sobre as demais, esquecendo-se daquela velha máxima que diz: “contra fatos não existem argumentos”.

A impressão transmitida por esse comportamento alimenta o imaginário popular e robustece sua convicção de que todos os detentores de mandatos eletivos são corruptos, sem levar em consideração o fato de que existem os honestos e que eles deveriam ser valorizados, ostensivamente. Estes últimos poderiam contribuir para o processo de higienização da boa e velha política, ajudando no processo de eliminação de todos aqueles que nela entram, visando, unicamente, à mala e a desrespeitá-la, por todos os dias de suas vidas.

Como bem disse o Ministro Barroso, “A verdade é que um país não pode ir mudando o Direito conforme o réu. Isso não é um Estado de direito, é um Estado de compadrio”. Essa frase é lapidar e, através dela, chegamos à conclusão de que eleições diretas, a esta altura, seria violar a nossa Constituição. No entanto, aqui cabe uma pergunta: Quem tem medo de eleições diretas e imediatas? Temer e Lula, ambos suspeitos como envolvidos em reformas de apartamentos e outras maracutaias, segundo o vasto noticiário policial exposto na mídia, constituem farinha do mesmo saco. Joesley Batista, em sua última entrevista à Revista Época, apresenta categóricas evidências que comprometem o início, o meio e o fim dessa era de corrupção desenfreada.

Se não surgir um candidato capaz de demonstrar que a prática governamental de 2003 para cá foi nefasta ao país, o caminho vai ser mais tortuoso, porém será o eleito por quem pode e deve exercer o direito de escolha. No meio político a honra cambaleia e o eleitor brasileiro vem adotando uma postura iconoclasta, abrindo caminho para que os falsos ídolos sejam destruídos sem dó nem piedade. O Brasil quer governantes sérios e honrados, capazes e independentes e que tenham o dom e a altivez de nos conduzir pelo caminho da reconciliação, abolindo a velha prática do “nós contra eles”. O povo brasileiro, finalmente, percebeu que, uma vez encontrada a verdade nua e crua de nosso cotidiano político, tornou-se difícil conviver com ela.

O perigo que nos ronda mora nos extremos. De um lado, Lula com sua velha história de falsa humildade, com a qual estimulou e assumiu a postura de ser o pai dos brasileiros pobres e excluídos do mercado de consumo. Do outro, o outsider Bolsonaro, que, com sua petulante franqueza de extrema direita, foi favorecido pela sorte de se destacar em um ambiente soterrado pela lama, que vitamina e impulsiona sua candidatura à presidência da República. Ninguém mais duvida de que a situação do Presidente Temer, seriamente comprometido, está por um fio. Dificilmente ele vai escapar, incólume, de tudo isso que está emergindo das investigações e das delações premiadas.

Aliás, Temer desqualificou o Tribunal Superior Eleitoral, provando que o mesmo é completamente sem serventia para a Nação, ao nomear, na qualidade de réu e na véspera de seu julgamento, dois dos juízes que votariam “convictamente” por sua absolvição. Com essa atitude, ficou mais do que evidente que o ambiente político produz anticorpos que buscam neutralizar as investidas do bem.

Outro exemplo dessa resistência encontra-se nas atuais formações dos Conselhos de Ética da Câmara e do Senado. Já, até, aprendemos a viver sem governo. Ainda assim, vencermos o empoderamento político e a ditadura dos tribunais - que faz do preto um branco e do redondo um quadrado-, tornou-se uma esperança, cada vez mais forte.

Torçamos para que o Brasil supere a Via Crucis que vem atravessando, deixando a sua cruz ao longo do caminho, antes que nela venha a ser sacrificado, pelas minorias que se encastelam nos três poderes.

 

 

(*) Administrador de empresas

 

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