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Atualizado em 30/05/2017

Precisa-se - Edgar Antunes Pereira

Precisa-se, urgentemente, de um homem ou mulher que preencham um único predicado indispensável: honestidade.

Oferecemos ótimo salário, residência palaciana, casa de campo, aviões, helicópteros disponíveis, carros e motoristas à disposição e um séquito de centenas de pessoas dispostas a bajulá-lo dia e noite. Oferecemos ainda poder sem limites, gastos à vontade, plano de saúde eterno e aposentadoria milionária. Favor enviarem seus currículos para o Planalto Central, Brasília, Goiás. Trabalho imediato.

Este cidadão não existe hoje no Brasil.

Diógenes procurou de lamparina acessa, há 2.229 anos atrás, pleonasmo proposital, no ano 412 A.C., pelas ruas de Corinto, Grécia. Olhe que o filósofo viveu longos 89 anos, sem nunca o encontrá-lo. No Brasil, teria igual insucesso.

O interessante é que podemos fazer, com verossimilhança, comparação atual entre os dois países, Grécia e Brasil, ambos a sofrerem os efeitos nefastos em suas economias provocados por governos populistas. Efeitos enganadores, que no primeiro momento é tudo de bom. Tomam em segundo momento, exauridas as reservas econômicas conseguidas a duras penas no passado e gastas, pelo ex-presidente Lula, Dilma e suas trupes, em excessos que a economia do País e a responsabilidade fiscal não permitem tudo de ruim. Aposentadorias precoces, máquina pública inchada, subsídios e penduricalhos sociais, enfim, toda sorte de benefícios dados sem a reciprocidade devida, inicialmente, tem-se a sensação de paraíso, pão e circo, posteriormente de inferno, desemprego, queda de arrecadação, caos. Ainda, graças, não chegamos a uma Grécia, muito menos, graças, a uma Venezuela, donde o desabastecimento é tanto que obriga a população a usar um pequeno pedaço de papel higiênico, com um furo no meio, para limpar o dedo.

O povo acostumado à mamata, quem não gosta de sombra e água fresca, grita, quebra, protesta. Os líderes, os mesmos que empurraram o País ladeira abaixo e tem contas empanturradas de dólares em paraísos fiscais, pregam contra a ordem disciplinadora imposta pelo mercado – abaixo os americanos, volta Lula, fora Temer, gritam -, sob aplausos de uma horda burra e ignara que comeu o pão de ontem, de hoje e o de amanhã, e nem se deu ao trabalho de ir a campo plantar o trigo.

Para quê? Se o governo supria tudo. É velho o dito popular: não dê o peixe, ensine a pescar.

Não existe milagre em economia, existe apenas trabalho, produto, custo e lucro. É o lucro que se gasta, ele que cobre as despesas de um país. O seu acúmulo são as reservas, que garantem o crédito; se não as tem, não tem crédito. Sem crédito, nada compra, sem comprar não há investimentos; sem investimentos, a roda econômica para, então, ajustes são necessários.

É o pior momento do Brasil. Piorado por uma crise moral, não há homens sérios e probos entre nossos governantes, somente bandidos caras-de-pau, que já deveriam estar na cadeia por locupletarem de dinheiro público, em triplexes, sítios e contas em paraísos fiscais, contando com o conluio de empresários criminosos atrás de lucros fáceis. 

Mas, não existe nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, ninguém que possa assumir o Brasil. Alguém com moral, respeito, autoridade e, sobretudo, honestidade.

Saudades de Castelo Branco.

 

(*) Jornalista

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