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Atualizado em 15/05/2017

Festival de horrores que assola o País - Wagner Gomes

O bicho está pegando feio. Diante da pasmaceira e da inoperância de nossos patrícios, o Brasil pode caminhar, inexoravelmente, para se transformar em uma nação de zumbis, a julgar pelos fatos mais recentes na política brasileira.De memória consegui ordenar este pequeno show de horrores, produzidos pelos nossos políticos de plantão. Roberto Requião uniu-se a Renan Calheiros, e a cinco mãos elaboraram um parecer que se transformou em réquiem para a Lava Jato, produzindo um canhestro (des)arrazoado, sem pé nem cabeça. Grotescamente, redigiram um libelo liberatório (se é que existe essa figura!) para os réus e um libelo acusatório para aqueles capazes de aplicar a lei. Algo como inverter a situação dos carcereiros e dos encarcerados, das vítimas e dos agressores. E salve-se quem puder. Soltam-se os presos e prendam-se os inocentes.

Palloci, que desistiu temporariamente de se tornar um delator, tenta uma saída desesperada, impetrandorecurso para ser julgado pela turma boazinha do STF, contribuindo para dar vida à teoria conspiratória que alimenta as suspeitas de um grande jogo de compadres. Assim, ele luta contra a democracia da maioria para nos impor, uma vez mais, a ditadura das minorias. A pretensão de escolher o juiz que nos julga é das coisas mais bizarras de um sistema de direito. Dizem as más línguas que Tóffoli, Gilmar Mendes e Lewandowski estariam enfurecidos com Fachin e Carmen Lúcia, temendo ser ridicularizados com um resultado diferenciado, do julgamento do caso Palloci, ao daquele que produziram para soltura de quatro outros réus, dentre eles Zé Dirceu, sem o menor pudor.

O senador Renan Calheiros, sempre ele, em clara rebelião oportunista – que surpresa! -, declara guerra ao presidente da República, seu colega de partido e, paradoxalmente, se une aos sindicalistas e senadores da oposição com o objetivo de discutir estratégias para barrar as reformas de que o Brasil precisa. Nesse caso ele, pelo menos, segue fiel ao princípio bíblico que adotou como lema de vida: "Mateus, primeiro os teus". Seria, mais ou menos, a mesma coisa que um ditado de sua terra natal: "farinha pouca, meu pirão primeiro". E ainda segue líder do PMDB no Senado, em evidente contradição com o princípio da fidelidade partidária.

De repente descobrimos que diversas constituições estaduais possuem cláusulas de barreira, para impedir que a justiça possa processar os governadores, em caso de delitos. Essa, felizmente, o STF fez ruir. Esse mesmo STF tornou-se o mais dividido e aparelhado de toda sua história, hermeneuticamente falando (sic), e passou a interpretar os rigores da leicom uma profusão de vertentes nunca antes vista neste País.

Lula seguiu ironizando a Lava Jato e, durante o seu depoimento ao Juiz Sérgio Moro, foi instado a decodificar essa sua ameaça: "se não me prenderem logo, quem sabe eu mando prendê-los", como se estivesse a antever o clima de um seu possível futuro (des)governo. Irônico, já havia chamado, no Congresso do PT, o tríplex em Guarujá de "uma Minha Casa, Minha Vida em cima da outra"... Só por curiosidade, fico imaginando que nome daria ao sítio de Atibaia. O político que mais angariou a simpatia do povão nos tempos modernos, após se meter em um cenário de falcatruas, deu-se ao luxo de não mais precisar de marqueteiros ao cunhar o slogan de sua próxima campanha eleitoral, e sem meias palavras vai estimulando seus fiéis seguidores a cantarem, em coro: “Lula, ladrão, roubou meu coração”. Lula segue repetindo Lula na sua costumeira estratégia de contradizer os fatos. Não cola mais.

Aliás, parece que o falecido Belchior se referia aos militantes políticos do PT ao escrever este trecho: “Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não”. Por isso, como Belchior, eu acredito “que eles é que amam o passado e não veem que o novo sempre vem”.

Diante de tantos descalabros, e apesar dos pesares, o povo de Curitiba apelou para sua criatividade e espalhou pela cidade outdoors com a frase de boas-vindas ao depoente ilustre da operação Lava Jato: “Seja bem-vindo. A República de Curitiba te aguarda de grades abertas”.

Roberto Jeferson, presidente do PTB que, lá atrás, no mensalão, colocou o dedo na ferida da corrupção brasileira, matou a pau, lembrando Shakespeare, com esta frase, na interpretação do momento que vivemos: “Dirceu fixou residência em Brasília no Residencial Kopenhagen. Fica esclarecido que há algo de podre no reino da Dinamarca”.

 

(*) Administrador de empresas

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