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Atualizado em 17/04/2017

Troféu Bola Cheia lava a alma do esporte

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Suor, dor e sangue. Determinação, garra, força de vontade, aplicação. Treinamentos, disputas. Chutes, arremessos, cortadas, enterradas, braçadas, pernas para que as quero, lances inteligentes, xeque-mate. Choque físico, golpes certeiros, imobilizações, sprints, voos, gols nos gramados, gols nas quadras. O placar informa o escore. Gritos de vitórias, alegrias extremas. Choros, reflexos de derrotas. Sorrisos de sucesso; semblantes abatidos pelos fiascos. Recordes comemorados; marcas frustrantes. Aplausos; apupos. Abraços, cumprimentos. Bola rolando, bola voando, bolas se chocando, corpos em confronto nos tatames, nos octógonos, deslizando nas águas, corpos em evidência...

Ao longo de todo o ano, guerreiros em transe, sagas, épicas conquistas, decepções. São elementos que fazem do esporte um mundo mágico, cheios de expressões, orais, faciais, corporais, gesticulais, não importando a modalidade, o grau de dificuldade, o espaço e nem mesmo os limites e limitações. A profusão de emoções faz do esporte um singular e ao mesmo tempo similar universo, com uma só linguagem, a da integração e inclusão social, de raças, credos, gêneros sexuais, de todas as cores, de todos os amores, de todos os clubes, de todos os corações e de todos os sentimentos, sem preconceito, sem discriminação e sem intolerância. O esporte é a verdadeira guerra da paz...

O reflexo de tudo isso pôde ser vivenciado e sentido, na noite da última segunda-feira (10/4), no Automóvel Clube de Montes Claros, quando o majestoso abriu as portas para a entrega do XV Troféu Bola Cheia – Prêmio Marcelino Paz Nascimento. Camisas, calções, meiões, chuteiras, tênis, sapatilhas, tornozeleiras, joelheiras, luvas, raquetes, tacos, quimonos, sungas, maiôs, capacetes e tabuleiros foram, momentaneamente, deixados de lado e substituídos por vestimentas de gala para a noite da gala do esporte regional.

O AC foi transformado num verdadeiro caldeirão, com adicionamento de todos os ingredientes que fazem do esporte uma área tão essencial como a saúde, a educação, a alimentação, o transporte, a moradia e a segurança pública. Esporte é saúde, educa, alimenta, leva a grandes objetivos, abriga com calor humano e conduz os praticantes por caminhos saudáveis e seguros. E o Troféu Bola Cheia, idealizado e realizado pelo caçador de relíquias Denarte D’Ávila, com o respaldo de vários parceiros, mais uma vez revelou tudo isso a todos, na inesquecível segunda-feira.

É verdade, que neste ano o evento demorou mais do que o normal. Porém, era uma edição especial pelos 15 anos da promoção, que nasceu para colocar todo mundo na mesma embarcação do reconhecimento, da valorização, do resgate e da inserção, sem se esquecer dos que escreveram capítulos da história e daqueles que deixaram o plano terreno para a viagem celestial, deixando para trás um rastro de saudade. Saudade também de grande parte do elenco da Chapecoense, que morreu em trágico acidente de avião no ano passado. A camisa da Chape, autografada pelo plantel atual, liderado pelo montes-clarense Túlio de Melo, também integrava os ingredientes da festa do esporte regional.

Também expostos no salão do AC os sagrados mantos de América, Atlético e Cruzeiro, que mais tarde seriam sorteados entre aqueles que atenderam ao apelo e doaram alimentos para a Casa de Apoio Santa Bernadete, que cuida de pessoas carentes com câncer, reforçando o caráter social adotado na edição passada. O próprio Túlio de Melo, que assumiu um importante papel social na Chapecoense, ao lado da Associação das Viúvas dos Jogadores, fez uma generosa doação. Também doou carisma e o seu precioso tempo à promoção o técnico Rogério Micale, que levou o futebol do Brasil à inédita medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, comandando pérolas como Neymar e Gabriel Jesus.

Outro ilustre convidado também abrilhantou a festa: o locutor Alberto “Vibrante” Rodrigues, da Rádio Itatiaia e dos memoráveis gols do Cruzeiro, lembrando que o primeiro jogo que narrou fora de Belo Horizonte foi Cassimiro de Abreu x América, em Montes Claros, em 1963, quando estávamos nascendo. Tinha ao seu lado o talento do montes-clarense Ênio Lima, brando no dia a dia, mas arrojado nas transmissões esportivas pela Rádio Itatiaia e provável sucessor de Alberto Rodrigues, claro, assim que ele se aposentar.

Também esbanjando simpatia o empresário Emir Cadar, do Conselho Deliberativo do Atlético, criador do cavalo Campolina e natural de Belo Horizonte, mas se dizendo montes-clarense de coração. Ainda compondo o dispositivo de honra Raphael Domingos, representando o presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Castelar Modesto Guimarães Neto; o comandante da 11ª Região da Polícia Militar (RPM), coronel Klevson Pires Martins; do Corpo de Bombeiros, coronel Primo Lara; e o delegado-chefe da Polícia Militar, Marcelo Eduardo Freitas.

A mesa de honra também contou com o vice-reitor adjunto de extensão da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), professor Paulo Eduardo Gomes de Barros (Duda); secretário Municipal de Esporte e Lazer, Igor Dias; vereador Valcir da Ademoc, representando o presidente da Câmara Municipal de Montes Claros, Cláudio Prates; do superintendente do Banco do Brasil, Alcides Pegorer; biomédico Rilder Zuquim, da Casa Santa Bernadete; Jorge Antônio dos Santos (Jorginho), presidente do Núcleo do Cavalo Mangalarga Marchador do Norte de Minas; e o diretor Fábio Borghi, da InterTV Grande Minas, grande parceira do evento.

Lotando o salão de festas do Automóvel Clube uma platéia eclética, de crianças a idosos, todos na maior tensão e na expectativa pela entrega da premiação. Após a solenidade de abertura pelos mestres de cerimônia Délio Pinheiro e Luiz Montes, marcada por imagens e personagens do esporte e emocionante pronunciamento do desportista Denarte D’Ávila, a ansiedade deu lugar aos aplausos. A premiação começou pelas homenagens paralímpicas, seguiu pelos melhores atletas em suas modalidades, invadiu a grande área dos méritos esportivos, desfilou pela galeria dos resgates esportivos e marcou um gol de placa com as homenagens especiais.

Em seguida, intercaladas por pronunciamentos dos ilustres convidados, houve sorteios das camisas de América, Atlético, Cruzeiro e Chapecoense, cada uma acompanhada de uma bola de futebol. Porém, ainda faltava o capítulo final: a revelação do Atlético do Ano de 2016, com votação pelo site do InterTV/G1 Grande Minas. Na disputa, duas belas: Ana Flávia Andrade (tênis) e Larissa Carolayne (karatê), e duas “feras” do jiu-jitsu: André “Sergipano” Muniz e Farlley Milioni.

Após alguns momentos de suspense, a felicidade sorriu para Larissa Carolayne, filha do também karateca Antônio Marques Batista do Santos, o Marquinhos, maior ganhador de prêmios nos 15 anos do Troféu Bola Cheia. Aliás, a família festejou bastante, porque a outra filha do mestre, Bruna Lívia, também conquistou o troféu na modalidade de karatê feminino adulto. Aos 19 anos, já com alguns feitos em 2017, Larissa segue os passos do pai, assim como suas irmãs, sempre conquistando medalhas e já sonhando com os Jogos Olímpicos, já que o karatê foi reconhecido como esporte olímpico. A jovem lamenta o esporte não ter apoio adequado em Montes Claros, mas como todo brasileiro, ela não desiste nunca.

Ao final do evento, aliviado pelo sucesso e a repercussão da premiação, Denarte D’Ávila agradeceu à família, a todos os parceiros, à comissão organizadora, às recepcionistas, seguranças, aos doadores de alimentos para a Casa Santa Bernadete e a todos os presentes que abrilhantaram a festa. Ele parabenizou os atletas e os homenageados, reverenciou a presença dos ilustres convidados e avisou: “Já estamos trabalhando na organização do Troféu Bola Cheia 2017, que será entregue em 2018, ano de Copa do Mundo. Muito obrigado a todos e até o próximo encontro”, finalizou.

 

(*) Editor-geral

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