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Atualizado em 13/02/2017

Coroa - Edgar Antunes Pereira

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Pesquisa no Houaiss aponta vinte dois diferentes significados para a palavra coroa. Nos interessa para o comentário que ora fazemos apenas estes:

- ornamento de formato circular usado sobre a cabeça como insígnia de soberania ou nobreza, como emblema de vitória, etc.

- o poder real; o Estado monárquico; monarquia, realeza

- remate, fecho.

Humberto Souto está em pleno gozo da coroa. Alcançou, com vitória esmagadora sobre o adversário, o poder real, no caso a cadeira de prefeito, autoridade máxima municipal aos oitenta e dois anos. Um vitorioso, inconteste na carreira política, de cabo a rabo. Nos sessenta anos de vida política foi líder estudantil, vereador, deputado estadual, federal, ministro e, agora, no encerrar, prefeito.

Seu sucesso como político é, portanto, inquestionável. Alcançou o que poucos alcançaram. Do seu jeito desmedido. A pregação pela vida inteira de honesto o ajudou com todos os descrentes da raça política. Foi sua bandeira, seu emblema, sua fala, seu pregoamento, sua imagem. Deu certo.

Lidou bem com os eleitores através da mídia. Perseguiu e obteve votos na raça. Quando deputado, tinha que dar satisfação a pouca gente - do povo a divulgação cuidava – de seus cabos eleitorais, soube ao longo do tempo cuidar muito bem, assistiu às prefeituras, brigou por recursos e os conseguiu.

Quando ministro, manteve-se, longe do povo e perto das lideranças. Contou sempre com o fato de ser deputado da terra, enquanto outros, pára-quedistas, forasteiros não tinham nenhum comprometimento com a região. Aposentado como ministro do Tribunal de Contas, postou-se frente aos holofotes da política. Candidatou mais uma vez a deputado federal, elegeu-se. Mas, não era o bastante, é o sonho de todo político reinar no seu feudo natal. Candidatou. Ganhou. É o prefeito.

Há uma máxima que diz: o povo dá e o povo tira. Eleitor é como torcida de futebol, não como a atleticana, que acredita. E sim como as normais, a corintiana, palmeirense, são-paulina, que, se o time não vence, reclamam, dão porrada, xingam, promovem quebra-quebra, falam mal e outras coisas mais. Nadam conforme a maré.

O que já está a acontecer. Humberto nunca foi bom no trato popular, nunca foi de mesuras e agrados popularescos. Apostou sempre no seu trabalho e procedimento. Nunca precisou ter contato direto, a mídia cuidava disto. Seu contato foi sempre com suas lideranças.

Hoje, seu contato é direto, direto com seus administrados, mais de 400.000, sem nenhuma intermediação. Não tem dado certo. Conflitos interpessoais circulam na mídia como cobranças de acertos atrasados da administração passada, de promessas feitas de campanha, como se promessas de campanhas fossem feitas para cumprir.

O fato real é que buracos surgem no precário asfalto da cidade. Que as inundações voltaram com as chuvas, Deo gratias. Que rescisões de ex-funcionários não estão sendo pagas. Que não adianta mandar cobrar de ex-prefeitos, pois quem deve é a prefeitura, certo ou errado, quem trabalhou ou fez de conta é ou foi apenas fantasma tem o seu direito assegurado, justo ou injusto. Portanto, não é hora mais de culpar o passado, é hora de encarar, corrigir e tocar o presente.

De cuidar para que a coroa não se torne fúnebre.

 

(*) Jornalista

 

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