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Atualizado em 23/01/2017

Regredir - Edgar Antunes Pereira

Com assombro, vivenciamos o domínio da violência, cenas indignas e perversas de comportamento animal, de rara barbárie, circularam nas redes sociais como se banais fossem. A mostrar estirados em poças de sangue, decapitados, mutilados e esquartejados, uma centena de jovens presidiários, neste mundo não existem velhos, não há tempo.

Assassinados na guerra pelo controle do rentável mercado das drogas. Disputa de bilhões entre os integrantes do PCC, CV e outras facções menores a eles aliadas. Cenas chocantes, de fazer inveja aos mais fanáticos assassinos do Estado Islâmico. 

“Se os governadores não construírem escolas, em vinte anos faltará dinheiro para construir presídios”. Vaticinou Darcy Ribeiro.

Darcy não falava apenas da parte física predial. Mas, sobretudo do conceito escola como educadora, isto é, assegurar a formação e o desenvolvimento do cidadão, dando-lhe a gênese física, intelectual, moral e cívica.

Crianças sem escola, sem rumo e futuro, formaram-se na marginalidade social, em que a conquista do poder, de status, é conseguido à bala. Criaram um estado paralelo, comandado por organizações criminosas, onde imperam leis próprias e independentes. Um estado, mais organizado, estruturado, poderoso e ágil. Nele, a justiça é ágil, Lula já teria sido condenado, morto e sepultado... Não vive quem não obedece suas leis.

Volto ao passado, aos anos 50, quando me ingressei na escola, quanta diferença!

Estudávamos, no primário, pasmem, Canto Orfeônico, Desenho, Linguagem, Religião, Educação Moral e Cívica, Aritmética - a parte da matemática que estuda as operações numéricas: soma, subtração, multiplicação, divisão etc. -  e Educação Moral e Cívica. Saíamos do primário sabendo fazer cálculos de juros e com a consciência de seus efeitos, positivos e negativos. Sabíamos calcular áreas, regra de três e equações simples. E o mais importante, existia BOMBA, você tomava BOMBA, o que significava não passar de ano, reprovação, VERGONHA.

Na etapa seguinte, no ginásio, estudávamos francês e inglês, em algumas escolas latim, além das matérias curriculares de hoje. A média para “passar de ano” era seis, média que o ensino brasileiro de hoje não alcança.

O professor era o nosso primeiro contato com uma autoridade fora da família. Ele era o responsável pela disciplina na sala de aula, era quem nos impunha os limites e respeito às regras externas, conseqüentemente às leis. Iniciava-se ali, na sala de aula, a formação cidadã.  As regras da escola eram as leis, os códigos, civil e penal, e constituição que, hoje adultos, vivenciamos. Se aprontássemos na escola éramos punidos duplamente, pois, os pais de nossa época tinham respeito e admiração àqueles que cuidavam da formação de seus filhos e exigiam que nós os respeitássemos e obedecêssemos. Criava-se, em nós, a inteligência da observância dos princípios fundamentais do estado de direito. Os professores eram ensinadores, não, como hoje, doutrinadores.

Aprendíamos a ler pelo método silábico, o famoso bê a bá, decorávamos a tabuada, sabíamos somar, dividir e multiplicar até de cabeça. Coisas que a maioria dos adolescentes de hoje não sabem. Líamos os autores nacionais e estrangeiros. Sabíamos que a escola era preparação para a vida, hoje não sabem mais. Aprendíamos os princípios da economia ao zelar, cuidar e conservar os livros como fazemos hoje com nosso patrimônio.

Aprendemos amar a Pátria e respeitá-la, e que a melhor demonstração de amor era tornarmos cidadãos de bem. Aprendemos que honestidade é uma qualidade que pela vida inteira deve ser valorada e não, como hoje, virtude dos tolos.

Reformas significativas feitas pós-décadas de 50/60 foram, sem dúvida, acabar com o apêndice lateral esquerdo superior do número 1 e eliminar o corte do 7. O resto foram apenas besteiras, a maior delas a progressão automática, que induz a estatísticas falsas e à falta de compromisso com o aprendizado.

Já é época de evoluirmos. Voltar ao passado, aos anos 50, quando a educação de fato existia.

É tempo de regredir. De voltar aos valores passados.

(*) Jornalista

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