ÁREA DO ASSINANTE






Atualizado em 10/10/2017

Canto de página – Décio Gonçalves

Virgilio Pereira, O Vereador Do ‘‘Cuma’’

A Câmara Municipal de Montes Claros já foi cenário de muitos acontecimentos importantes para a administração da cidade e também de fatos que marcaram o dia a dia dos vereadores. Rendeu tanto assunto que já foi tema de livros publicados. Um deles é de autoria do escritor João Valle Maurício.

O livro FACES DO LEGISLATIVO, de autoria de Jorge Tadeu Guimarães, relata o que acontecia durante a presidência da Câmara Municipal de Montes Claros. No legislativo eram frequentes os debates entre os “pares” e o questionamento de seus pronunciamentos, principalmente através de José Sidney Chaves. Num dos relatos, ele fazia um discurso de despedida, já que acabara de ter sido o mais votado nas eleições do vizinho município de Burarama de Minas.

O doutor Sidney Chaves, advogado e homem de cultura ilibada, dono de uma oratória exemplar, aproveitava o momento do púlpito para tecer suas considerações a respeito da administração do doutor Pedro Santos, o prefeito municipal de Montes Claros na época. Dizia Sidney Chaves:

“Afaste-se, por conseguinte, desde já, o meu modesto nome do rol daqueles que o atual prefeito alinha, como sendo os de seus inimigos, os quais não o perdoam a sua retumbante vitória nas urnas. Em verdade, inimigos – digo eu - serão os áulicos que, a esta altura do momento psicológico popular, muitos deles, francamente desfavorável, falavam mal da administração de sua excelência. Não lhe levam aos ouvidos, o clamor surdo de um povo, que deseja e tem direito a uma boa administração. Mas  que vai, a pouco e pouco, aprendendo, mais uma vez, que nem sempre o sentimento de simpatia pessoal, se coaduna com o espírito cívico que deve presidir à escolha de administradores. Amigos, bons amigos, são os que nos avisam dos perigos, e nos alertam contra as ciladas dos caminhos. Dentre estes, espero estar, pois penso que os amigos do prefeito foram antes e ele precisa hoje mais do que nunca, de homens de boa vontade que ajudam e zelem os altos destinos de Montes Claros.

Diante de tão sábias considerações, sem entender patavinas do que queria dizer o colega Sidney Chaves, o vereador Virgilio José Pereira, do PDS, representante majoritário do distrito de Miralta, adepto do prefeito Pedro Santos, de quem era porta-voz, tentava interromper a fala de Sidney Chaves. O orador, incomodado, a despeito de ter larga experiência jurídica, resolveu conceder um aparte a Virgílio Pereira, dizendo a ele abruptamente:

Por qual razão me interpelas ó nobre edil?

Virgílio Pereira, sem jeito, retribuiu:

“CUMA”?

Sidney Chaves aproveitou:

O que vem a ser “cuma”, brilhante legislador?

O vereador Virgílio, depois do embaraço inicial, filosoficamente respondeu:

‘’CUMA É CUMA, ora”!

Virgílio, sem argumento, ficou desapontado. Quase entrara debaixo de sua mesa.

 

(*) Jornalista aposentado, inscrito no Ministério do Trabalho sob o nº 15276/70, diretor e fundador do jornal Diário de Montes Claros e na Revista Encontro, já extintos

Para ler a coluna completa Assine aqui o JN Notícias

Comentários