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Atualizado em 21/09/2017

Comentários – Benedito Said

ELO - Ontem, em reunião com gestores da rede municipal de ensino, na Sociedade Rural, foi possível ampliar proximidade entre organismos sociais e a Secretaria Municipal de Educação, e diretamente com as escolas. Na última bateada de discussões sobre educação e transformação, promovida pela Secretaria de Educação de Montes Claros, participaram o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude, com palestras sobre frutificação de parcerias, ação quanto às disfunções cada mais frequentes de ato infracional e ato indisciplinar, necessidade de chamamento da família para assumir sua responsabilidade vinculada ao pátrio poder.

CADEIA - Diante da violência crescente nas escolas, não se observa apenas, e tão-somente, o ato indisciplinar. Apesar de ser minoria diante do portentoso sistema que deve ser uma escola, essa parcela faz barulho ensurdecedor ao atingir e contrariar objetivos dignificantes. Na sociedade, no dia a dia, isso é comum. Um crime bárbaro choca a todos, é rechaçado por sua repugnância, mas acaba até colocado no imaginário popular como prática normal na coletividade, como se todos fossem do mesmo calibre decadente. Não é assim. As virtudes devem prevalecer diante de um defeito. Mas, como explicaram representantes do Conselho Tutelar e Vara da Infância, a parceria deve ser efetiva e não se intimidar diante do percalço. Já existe aquele ditado popular de que diante do pequeno problema, mostre a grande solução. E quando a solução é feita por várias mãos, com certeza, haverá como cessar as chamas infernais. Mas não é fácil. Isso todos devem saber.

ESTUDO - Não parece haver dúvidas de que jovens motivados podem ter melhores resultados na escola. Mas um estudo com informações do Pisa, a avaliação internacional de aprendizagem, indica que alunos com grau mais elevado de boas atitudes e motivações podem superar barreiras socioeconômicas. Nas estatísticas educacionais, o nível socioeconômico dos alunos é uma das variáveis mais influentes no sucesso educacional. O estudo foi publicado ontem pelo jornal Folha de São Paulo.

ANÁLISE - Entretanto, ao analisar resultados do Pisa 2015, a consultoria McKinsey concluiu que alunos mais pobres –mas com alto índice de motivação– alcançam resultados superiores a estudantes de nível socioeconômico mais alto, mas com motivação considerada baixa. Pelo menos em ciências, área analisada. Assim, para alunos que frequentam escolas de baixo desempenho, "uma mentalidade de motivação bem calibrada equivale a saltar para uma condição socioeconômica mais elevada", diz o estudo.

BRASIL - Os alunos brasileiros considerados bem motivados têm nota 18% superior aos menos motivados, segundo o relatório. O comportamento é similar em outras regiões do mundo. Para a América Latina, no geral, a diferença é de 14%. Ao separar os alunos em quatro níveis socioeconômicos, o estudo mostrou que – no grupo dos mais pobres – os estudantes mais motivados conseguiram média de 400 pontos em ciências, ou 51 pontos a mais do que o obtido pelos menos motivados do mesmo perfil. A distância de pontuação equivale, segundo a escala do Pisa, a mais de um ano de aprendizagem. Essa média é também superior à obtida por estudante do nível socioeconômico mais elevado, mas com pouca motivação (378 pontos). Já alunos ricos com muita motivação têm média de 434.

FAZER - No entanto, o estudo divulgado pode gerar pensamentos muito mais profundos. Inclusive as universidades, como ensino da área de humanas e exatas, deveriam repensar sua pedagogia, muitas vezes anacrônica.  Conforme a análise, escolas com alunos mais pobres têm em geral estudantes com trajetórias escolares de pouco sucesso, professores menos estáveis. O mesmo estudo comparou outras dimensões, concluindo que o número de horas de aulas por dia é relevante para o desempenho.

Há uma distância de 23 pontos no Pisa entre alunos que têm de 4 a 4,5 horas de aulas por dia e os que têm 5 a 5,5 horas. Alunos que tiveram acesso à educação infantil na América Latina também têm melhores resultados. Sobre tecnologia, o projetor e o computador –utilizados pelo professor– são os dispositivos mais relevantes na comparação, por exemplo, com tablets ou lousa eletrônica.

LONGE - Não estamos na Finlândia, Suíça, Coreia do Sul nem na Bélgica. Eis o tanto que ainda se vai caminhar, inclusive para se libertar de engessamentos comuns, leis anacrônicas, pensamento sindicalista extremado e falta de compromisso de uns.

 

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