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Atualizado em 06/09/2017

Comentários – Benedito Said

LAÇO - “O crime organizado em Montes Claros é uma realidade. Ele está vivo. No entanto, isso não quer dizer que a Polícia está morta. Ao contrário, mesmo com insuficiências até de recursos humanos, principalmente diante da demanda que surge como obrigação policial, a Polícia Civil realizou e concluiu 4.743 procedimentos policiais em 2017, isso de janeiro a agosto.” A declaração é do delegado regional Jurandir César Rodrigues Filho, que também lembra que ocorreram neste ano 68 operações policiais e em apenas quatro delas 11 pessoas foram presas, uma tonelada de drogas e 18 veículos usados no tráfico apreendidos. “Uma investigação policial não ocorre da noite para o dia e, principalmente nos casos de homicídios, o tempo auxilia no levantamento de provas que garantiram a condenação do culpado.”

CRIME - O delegado regional Jurandir César garante que a despeito do último final/início de semana trágico, com mortes violentas, o número de homicídios em Montes Claros tem caído. Em 2012 foram 122 assassinatos, passando para 86 em 2013; 77, em 2014; 71, em 2015; 71, em 2016, numa queda significativa de 71%. No caso de roubos, que gera sempre severa sensação de impunidade, foram realizadas 50 ações pontuais e houve, em 2017, redução em 27% desse tipo de crime. Os celulares continuam a ser o grande alvo dos bandidos, sendo os aparelhos utilizados como moeda de troca no campo de drogados e traficantes.

USO - Mas enquanto a polícia age, a sociedade encolhe. Isso, conforme o delegado Jurandir César, porque a família está se omitindo drasticamente na questão de educação primária, dando a direção exata aos filhos, que precisam de orientação e conscientização não só quanto ao perigo das drogas, mas também das responsabilidades, diretos e deveres. Em muitos casos, disse o delegado, a família, principal elo entre o existir de maneira responsável e participativa, até tenta, mesmo com suas dificuldades, mas não consegue dar norte ao rebento que produziu. “Depois de até tentar, pelo que vemos, a família desiste, abandona aquele projeto de vida. Sem políticas para acolher e encaminhar aquela pessoa, com certeza, vai desaguar no que gente vê hoje, com os índices de criminalidade avançando, mas homens e mulheres se transformando em zumbis sem destino.” Lembrou o delegado que se há distribuição de drogas, com os crimes correlatos a esse fim, é porque tem demanda, tem consumo. “E aí deveria se centralizar todo o fazer do estado,”

LONGE - A Delegacia Regional de Montes Claros abarca um território de 20 municípios. Não há mais área sem presença de drogas e tráfico, além do crime se interiorizar de forma até profissional, como ocorre nos ataques a agências de bancos e de correios. Segundo o delegado Jurandir César, cada vez mais a polícia é exigida, pelo que vem se preparado até mesmo com intercâmbio na China, como ocorre agora, e depois com o Estados Unidos, principalmente no combate ao narcotráfico. “Temos ainda que investir na polícia científica para garantir resultados irrefutáveis nas investigações.”

ALA - O desfile de Sete de Setembro, sempre organizado pela Secretaria Municipal de Educação, teve sua última reunião na segunda-feira nas dependências do comando da Polícia Militar, que apontou alguns problemas detectados pelo serviço de inteligência. A reunião desta feita teve participação dos organizadores do Grito dos Excluídos, movimento que nasceu em Montes Claros para mostrar os graves problemas sociais e vivenciais da comunidade. Os representantes do movimento, como sempre, disseram que farão desfile à parte, mesmo sendo convidados para serem incluídos na programação. Neste ano, o desfile, conforme determinação do prefeito Humberto Souto, seguirá o horário combinado para não penalizar, em hipótese alguma, aqueles que gostam de testemunhar evoluções militares e estudantis em nome do civismo e civilidade.

MALA - Enquanto isso, pobres mortais, num bunker de Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Michel Temer, a Polícia Federal achou malas e malas de dinheiro. A operação foi chamada de Tesouro Perdido, caros excluídos, incluindo o escriba. Quando crianças, muitos de nós participávamos da caça ao tesouro. Era um processo fictício, imaginário, feérico até. Pura imaginação que não se realizava, pois se cria no inventário, nada de real como agora, quando ladravazes contumazes se esbaldam na chafurdação coletiva.

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