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Atualizado em 22/06/2016

Há que se adotar urgência – Paulo César de Oliveira

Há situação que podemos definir como limites. Além delas, é o caos. Esta é, com a mais absoluta certeza, o ataque ao Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, uma das mais conhecidas unidades hospitalares do País, invadida por bandidos para libertar companheiro preso, com troca de tiros, morte e feridos. Não, este não é mais um escandaloso caso policial, entre tantos mais comuns nas ruas do Rio e que se vulgarizou pelas demais cidades do País, independente de seu porte. Esta é uma situação limite, símbolo da total falência do Estado brasileiro, incapaz de desincumbir-se de suas tarefas mais elementares.

Esta invasão deveria estar envergonhando a todos nós. Disparando alertas e sinais vermelhos por todos os cantos, mas nada. Na prática, se encaminha para ser apenas mais um BO lavrado pela polícia carioca, cuja apuração acontecerá se tudo correr bem e Deus ajudar.

A ocorrência do Souza Aguiar retrata o que é o Brasil de hoje, entregue à ousadia encoberta por uma impunidade, que sofreu agora uma leve fissura com as condenações da Lava Jato.

O resgate de um preso ferido por bandidos armados pouco difere do assalto aos cofres de estatais e do Tesouro em todos os níveis. Demonstram que ninguém está preocupado em ser alcançado pela lei. Demonstra que ninguém respeita o que deveria ser os braços fortes do Estado, que em sua origem foi criado para proteger o homem do homem. O resgate do Rio de Janeiro mostra como o Estado brasileiro é relapso no cumprimento de seus deveres, assim como é na oferta de serviços púbicos de qualidade aos cidadãos.

O resgate do Rio mostra como o Estado brasileiro é covarde diante dos que ousam enfrentá-lo seja para matar, estuprar, roubar ou para corromper, desviar, fraudar tudo que possa ser fraudado, sem se importar com as consequências destes atos na vida das pessoas. Não, basta, este Estado não nos serve. É preciso refundá-lo.

 

(*) Jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report

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