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Atualizado em 16/06/2016

Perdas, danos e ganhos - João Paulo Rigo

De forma geral existem dois tipos de perdas no mundo, a que vai para a vida e outra para a morte. A perda para morte segue o caminho da única certeza da existência humana, a perda para a vida passeia entre amores, objetos, pensamentos, hora etc. O certo é que invariavelmente são traumáticas.

A mídia noticiou nos últimos dias no Brasil uma terceira forma de perda, a perda para o poder. Dilma saberá falar melhor sobre o assunto: #perdeuquerida.

Como há bares que vêm para o bem, o mesmo acontece com os males. Perder, às vezes faz bem, como a perda de peso para as mulheres, aqui menos é mais, ou perder a virgindade, quando se inicia o ciclo dos prazeres. Esse é inclusive o tipo de perda que não adianta recorrer a São Longuinho, três pulinhos não irão ajudar em nada. #perdeutáperdido. Por falar em prazer, para as mulheres que perderam o namorado vale o ditado mais popular para a perda: perdem-se os anéis e ficam os dedos.

Para serem perdas de verdade é necessário haver amor envolvido. Não amor de guarda-chuva que a gente deixa nos cantos e tanto faz. Sem criarmos um forte laço a algo ou a alguém, o sentimento não é experimentado. Entre os laços mais fortes criados estão os maternos, quem é filho sabe que o que é perder, ou que vai perder um dia. Dor que um dia chega. E se não chega, dói a angústia de sua espera. Pior que a morte é a pré-morte.

Gente não foi feito para perder, nasceu para conquistar, para achar. Tem gente que se acha tanto que acaba se perdendo. Perder segue em contramão ao capitalismo que nos cria. Não vale aqui entrar em questão filosófica sobre a propriedade com Rousseau, Locke e Marx, aqui não tem filósofo, mas fica a dica de leitura. Ser humano pode até não ser feito para perder, mas, é ensinado a passar pela perda da pior forma possível, caso contrário, não nos ensinariam a falar tudo, desde pequeno, no sentido de posse: meu brinquedo, minha blusa, meu carro, minha namorada. Amores, inclusive, não deveriam passar pelo sentimento de perda, afinal, gente não foi feita para ser posse de ninguém.

Dor de perda não tem ordem de pesar, para cada qual a sua é maior. Para o filho a mãe, para a mãe o filho, para o amor a amora, para a galinha o pinto, Napoelão a guerra, para Perrela o helicóptero #perdeuplayboy, o torcedor o gol, jogador o pênalti, Paraguai o Acre, para o trabalhador o ônibus, marujo o pandeiro, para o fumante o isqueiro e para o político o dinheiro. O sentimento de perda está relacionado com algo que foi ou que é significativo. Às vezes na hora da perda não faz falta, mas faz depois, com o tempo que o perdido se faz necessário. Pergunte ao careca que perdeu aos poucos a cabeleira.

João e Maria perderam o caminho de casa, os bêbados e os amantes também fazem isso com mais frequência e nem por isso os fins são trágicos, às vezes, até uma bela história. Perder tempo é coisa ruim, seja com algo ou com alguém. Até que se prove o contrário é o que temos de mais valioso.

Durante o processo de vida, o histórico de perda às vezes será maior do que o de ganhos. Ter posição de escolha também é uma forma de gerar perdas, daí o sentido da maturidade, saber que quando se escolhe uma coisa normalmente se abre mão de outra, se esta outra coisa for importante ela também será uma perda.

Perder é pra quem arriscou jogar. Pra quem arriscou viver.

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