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Atualizado em 13/06/2016

Sucessão a passos lentos – Hélio Machado

O tempo passa com mais celeridade, dando a impressão que os dias ficam mais curtos, em função da correria em que se vive para garantir a sobrevivência, mas o processo sucessório em Montes Claros não avança. Emperrou com a prisão e o afastamento cautelar do prefeito Ruy Muniz, do PSB, que inegavelmente é peça fundamental no jogo político, queiram ou não seus adversários. O ritmo do caminhar da sucessão depende de se resolver todo este imbróglio em eu se meteu.

Com a conversão da prisão preventiva em domiciliar, pelo Tribunal Federal da 1ª Região, em Brasília, o prefeito afastado tem mais tempo e condições para refletir sobre seu futuro político. A tendência, pelo que se ouve falar, é que ele, apesar dos reveses, do duro golpe, não se sente nocauteado. Pelo contrário, revela aos interlocutores a disposição de manter-se na vida pública. O que significa que, se não houver  mais atropelos, pretende buscar a renovação do mandato, nas eleições de 2 de outubro.

Apesar de todos os problemas, dos processos a que responde no Judiciário, não há, até agora, do ponto de vista jurídico, qualquer fator impeditivo à sua candidatura à reeleição. Só se houver mais à frente e é possível que haja. Distante da vida pública, pelas contingências de momento, Ruy Muniz reserva o tempo para meditar e escrever o programa de governo de eventual nova administração, sinal de que vai enfrentar as urnas. Parece obstinado pelo poder político.

A pergunta que se ouve, a todo instante, é que, mesmo com o desgaste por não cumprir pontos importantes de seu programa de governo, e do desgaste por todos estes problemas, Ruy Muniz ainda tem chances de vencer as eleições? A resposta é positiva, porque se considera sua administração boa, priorizando obras de asfalto na zona urbana e rural. E este tipo de obra sempre deu voto, e não é agora que vai deixar de dar. Mas é inegável que ele fica mais vulnerável aos ataques dos adversários, que em tese têm elementos consistentes para desgastá-lo e tentar derrotá-lo.

Com Ruy Muniz impedido de articular, o processo sucessório caminha a passos lentos, com mais vagar. Quem não arreda o pé das articulações e agora se mostra aberto ao diálogo, ao contrário do passado, é o ex-deputado federal Humberto Souto, do PPS, que se apresenta como firme oposição à atual administração municipal, a quem não para de criticar. Quer desta forma, arregimentar o apoio daqueles que, por um motivo ou outro, não aprovam o governo municipal e cuja tendência natural é ficar ao lado de quem o combate.

A oposição é inerente ao regime democrático e, nesta condição, fundamental para fortalecê-la, desde que exercida com o devido equilíbrio. A política de hoje é bem diferente do passado. O eleitor está mais exigente e, com a comunicação ao seu dispor das mais diferentes formas e em tempo real, acompanha de perto tudo que se passa na política para fazer juízo de valor. E não aprova mais a política do passado, de agressão, de ataques. Assim, até para criticar, é preciso que haja equilíbrio. Do contrário, o resultado pode ser contrário do que se deseja. Aliás, não só na política, o equilíbrio é indispensável em nossa vida cotidiana, em quaisquer situações.

A tendência natural, com Ruy Muniz na busca pela reeleição, é de polarização com Humberto Souto. Pelo menos é o desenho do processo sucessório de momento. Até que se prove em contrário, os dois hoje são os principais atores do jogo político, à espera que outros se apresentem. A participação de mais atores políticos com chances reais de sucesso,  ainda é uma incógnita. Mas terão que se manifestar logo, pelo sim ou pelo não, por força da legislação eleitoral, em função dos prazos para as definições.

Dos políticos tradicionais apontados como pretensos candidatos, só o ex-prefeito e ex-deputado federal Jairo Ataíde, do DEM, tem manifestado mais concretamente o interesse em voltar às urnas. Além disso, começa a articular para tentar viabilizar o projeto, mesmo com duas derrotas consecutivas, nas duas últimas eleições. A saída de sua esposa a ex-deputada estadual Ana Maria e de seu fiel escudeiro, Farley Meneses, da administração municipal é o sintoma de que ele leva o projeto a sério. Se Jairo tem chances ou não de sucesso é outra história.

Embora apontado como candidato natural do PT, o deputado Paulo Guedes não se decide. Ou pelo menos não se declara. Mantém o suspense. Acredita-se que tenham motivos para agir assim. Um deles, talvez não seja o principal, o desgaste do PT, que queira ou não vai refletir nas urnas. O petista parece distanciar-se do projeto político deste ano. O deputado e ex-secretário, Gil Pereira, do PP, anunciou a disposição de disputar, mas parece ter ficado só nisto. Não se percebe articulação que leve a imaginar que será candidato. O que se tem ouvido é que ele pode compor com Humberto Souto e indicar seu companheiro de chapa.

O deputado Carlos Pimenta, do PDT, outro nome de peso na política, com serviços prestados em mais de 30 anos de vida pública, não manifesta, pelo menos por enquanto, o interesse em candidatar-se. Se o fizesse, seria novidade no processo. Por seu lado, o PMDB, que passou a ser governo, com a posse do vice, José Vicente, admite lançar candidato próprio. Fortalece o projeto a partir do momento que passa da condição de coadjuvante a protagonista. E o nome mais indicado, independente de sua atuação, é do próprio José Vicente.

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