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Atualizado em 11/10/2017

Uma parada para meditar - Petrônio Braz

Disse há quase dois anos, mas não cumpri. Porém, não me julguem como Nietzsche: “Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te”. Mas agora sou levado a repetir, e não será mentira.

Sou levado a suspender minhas contribuições, que têm aparecido nas páginas dos nossos jornais, no montesclaros.com, em Montes Claros. Suspender no sentido de parar para uma meditação sobre o próprio sentido da vida literária. Ficar meditabundo talvez como o vate de Gonçalves Dias: “E o vate entanto pálido o semblante /meditabundo sobre as mãos firmara.”

Meditar sem dizer palavra ou repetindo Castilho: “no que tanto há de durar medite-se mui de espaço.” Mas a minha não será uma meditação mitológica como a de Puruha, o Prajapati (Pradjâpati) dos indianos (Vedas), que meditando criou os deuses, nem uma meditação dos budistas para adquirir, através dela, a ciência transcendente universal ou Badhi, nem a dos sábios. Será uma meditação de plebeu sertanejo, preguiçosa, mas, com certeza, não será uma meditação de aposentado, embora já esteja na sala de embarque do aeroporto interestelar, com o bilhete da passagem já marcado, mas sem pressa, no aguardo de um possível cancelamento temporário da partida. Não viemos aqui para ficar.

Considerando o cancelamento temporário da partida, da responsabilidade dos médicos que me assistem, tenho como compromissos editoriais, que estavam programados para o ano passado, revisar, para novas edições, meus livros jurídicos, que não são poucos, e rever, na fase final de editoração, cinco outras obras, estas de cunho puramente literário.

Se tudo correr bem, como espero porque já realizados os trabalhos e prontos para serem entregues à Editora, quero estar relançando o “Serrano de Pilão Arcado – A saga de Antônio Dó” e o romance “Jandaia em Tempo de Seca”. Vou editar os livros “Caleidoscópio”, “Nas Asas do Tempo” e “O Léxico do Grande Sertão”.

Habituei a preencher os vazios dos sábados e domingos, não mais visitando o Quarteirão do Povo (aos sábados) e a Praça da Matriz (aos domingos), mas assistindo filmes “westerns” ou jogando xadrez contra o computador (adversário às vezes terrível).

 

(*) Escritor e advogado

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