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Atualizado em 18/09/2017

Os sonhos não envelhecem

José Wilson Santos

Foto:
JOSÉ RAMOS dos Anjos Neto, o Neto da Kina do Caipirão, em Montes Claros, realiza sonho de quase cinco décadas: andar num caminhão do Corpo de Bombeiros

José Wilson Santos

Repórter

 

Está certíssimo o poeta: “Os sonhos não envelhecem”. Que o diga o quase sexagenário José Ramos dos Anjos Neto, o Neto da ‘Kina do Caipirão’, vencedor da etapa de Montes Claros/2017 do consagrado ‘Comida di Buteco (e 8º colocado na etapa nacional do certame, no Rio de Janeiro, onde fez bonito obtendo nota 9,5).

Aos sete anos esse filho de nordestina venceu um concurso de frases na escola, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, e desde então acalentava intimamente o sonho que não pode realizar naquela ocasião: andar numa viatura do Corpo de Bombeiros - o que finalmente se concretizou quase cinco décadas depois, no úl-timo Sete de Setembro, na Avenida Deputado Esteves Rodri-gues.

E o homem pelejador, lida-dor, que nunca se dobrou as dificuldades, voltou a ser aquele menino de sete anos no mágico percurso daquela quinta-feira, percurso que certamente se eternizará na memória, a mesma memória teimosa que por tantos anos acalentou sonho tão simples, mas que a cada dia parecia mais difícil de realizar. Afinal, não dava para simplesmente aparecer no quartel e pedir uma voltinha na viatura.

Foi assim. O sonho de Jose Ramos – o cabra filho de nordestina, natural de Montes Claros, que por anos a fio trabalhou na roça engordando frango caipira – chegou ao conhecimento do pessoal no quartel do Corpo de Bombeiros como num passe de mágica e os anjos da guarda resolveram realizá-lo no palco da Sidney Chaves. E Ne-to, enfim, se apaziguou, fez as pazes com seu sonho na mais bonita das realidades.

Neto veio da roça fugindo da violência que perturba a zona rural e para proporcionar estudo às filhas. Optou por montar um bar, o Kina do Caipirão, na Avenida São Judas Tadeu. Labuta lá faz cinco anos e há dois participa do Comida di Buteco, do qual sagrou-se vencedor na etapa deste ano. E fez mais: ‘matou a pau’ na etapa nacional do certame, abiscoitando o oitavo lugar no ranking nacional com a nota 9,5. Sua Kina é o oitavo melhor buteco do País. Né brinquedo não, como diria Dona Jura, outra butequeira famosa.

O agora realizado Neto, conta que tinha 7 anos - em 1970 - quando ganhou um concurso na escola, redigindo a melhor frase em homenagem à Nossa Senhora de Aparecida, santa da qual é devoto. E como prêmio ganhou o direito de desfilar no caminhão do Corpo de Bombeiros. Mas a família, humilde, não pode custear a fantasia exigida e a oportunidade foi cedida a outro mais apaniguado. Restou a Neto andar atrás do caminhão e começar a acalentar, ali, o so-nho de um dia montar na boleia.

Sonho que 46 anos depois ele dividiu, emocionado e em lágrimas, com os produtores do Comida Di Buteco Tiago Godim e Rodrigo de Paula. Eles e a diretoria do concurso gastronômico intercederam junto ao tenente Diego, do Corpo de Bombeiros, e o desejo foi concedido. Então o homem feito, de 54 anos, voltou a ser o menino que um dia sonhou em andar num caminhão dos Bombeiros e andou. Andou para todo mundo ver e aplaudir.

E fica o exemplo para quem acha que depois de certo tempo não pode mais se dar ao luxo de sonhar.

Pode sim! Os sonhos não envelhecem!

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