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Atualizado em 17/07/2017

CRISE HÍDRICA: Câmara busca apoio do Ministério Público

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A barragem da Copasa, em Juramento, está operando com menos de 30% de sua capacidade

Preocupada com a crise hídrica, que se agrava com o passar do tempo, sem chover regularmente, a Câmara Municipal pretende buscar ajuda do Ministério Público do Meio Ambiente, para apurar denúncias de que a reflorestadora Plantar abriu poços às margens do Rio Juramento e fez barramentos, usando a água para irrigar o plantio de eucalipto, impedindo-a de chegar à barragem da Copasa, que hoje opera com apenas 25% de sua capacidade. A questão foi levantada na manhã dessa terça-feira, quando vereadores visitaram a barragem e constataram seu baixo nível, o que leva a empresa a buscar alternativas para garantir o abastecimento a Montes Claros, nos próximos meses.

Presidente da Câmara Municipal, o vereador Cláudio Prates, do PTB, espera agendar audiência nesta sexta-feira com a promotora Aluísia Beraldo Ribeiro, da Curadoria do Meio Ambiente, para discutir sobre a atuação da reflorestadora em Juramento, que contribui para que o nível da barragem esteja baixo, com dificuldades para garantir água nas torneiras de milhares de consumidores na cidade. Para ele, é inadmissível abrir poços às margens do rio Juramento, o que acaba por prejudicar sua vazão. Além disso, garante, não se pode aceitar que sejam feitas barragens no mesmo rio, represando a água em prejuízo de produtores às suas margens e também impedindo-a de chegar à barragem de Juramento para aumentar seu volume e atender Montes Claros.

Para o vereador, o pior é que as informações dão conta de que se está usando a água do Rio Juramento, que seria para abastecer a população, neste momento crítico de crise hídrica, para irrigar plantação de eucalipto. Por conta disso, afirma, o Ministério Público precisa intervir para, se for o caso, acionar a Justiça no sentido de se resolver o problema e impedir que a empresa continue agindo desta forma, em flagrante desrespeito a mais de 400 mil pessoas de Montes Claros, que dependem da água para sobreviver. Segundo ele, não se pode aceitar que o problema continue se agravando por causa da empresa. O presidente do Legislativo reconhece que o nível da barragem é baixo e põe em risco o abastecimento da cidade, caso medidas não sejam adotadas para suprir a falta de água.

PACUÍ – Depois de colocar em prática o racionamento de água na cidade, como forma de economizar, perfurar poços no entorno de Montes Claros como medida emergencial para regularizar o abastecimento, a Copasa articula para viabilizar projeto de captação de água no Rio Pacuí. A intenção de Cláudio Prates é de acompanhar tudo de perto, no sentido de dar o suporte político à empresa para tentar resolver o grave problema da melhor maneira possível. O petebista quer levar os vereadores para conhecer a realidade do Rio Pacuí, para saber ao certo se a captação de água não vai prejudicar os moradores daquela região. Entende que não se justifica resolver um problema e criar outro.

COPASA PRETENDE CONSCIENTIZAR

A Copasa está mais preocupada com a crise hídrica porque o consumo de água aumentou em Montes Claros, nos últimos dias. Isto porque, temendo a falta do produto, consumidores estão comprando caixas de água para estocar o produto. Além disso, outro problema é que parte da população não atende aos apelos para economizar e continua fazendo da mangueira vassoura para lavar calçadas e ruas. Este problema foi apontado pelo superintendente de Operação Norte da Copasa, Roberto Botelho. Por conta disso, a empresa vai intensificar a campanha pelo uso racional da água, orientando a população a gastar o estritamente necessário para superar a fase crítica.

O superintendente reconhece que o nível da barragem é crítico e estão sendo feitos todos os esforços com a finalidade de amenizar o problema. Além da captação emergencial para a reposição da água, através da abertura de poços para garantir o abastecimento da cidade, também estão sendo desenvolvidas ações para a recuperação das nascentes, que estão bastante degradadas. Contudo, ele se preocupa com o aumento gradual do consumo de água em Montes Claros, pelo fato de, temendo o desbastecimento, a população estocar o produto, com a compra de novas caixas de água. A Copasa busca mecanismos para se resolver a questão. Também aponta a necessidade de se intensificar a conscientização da popula ção.

A Gerente do Distrito Regional de Montes Claros, Mônica Ladeia também externou apreensão com o quadro que se apresenta, frisando que ele piorou a partir do momento que os rios Canoas e Juramento, que abastecem a barragem secaram, por causa de diversos motivos, especialmente a degradação. Assim, somente o Rio Saracura tem contribuído para manter a barragem com água.

Disse que a Copasa tem se esforçado com ações emergenciais para assegurar o abastecimento de água à cidade no restante deste ano e também para 2018, independente da chuva. Contudo, aponta a necessidade de se intensificar a campanha junto à população para economizar, para se fazer o uso consciente da água, para não piorar a situação. Ela pediu o apoio da Câmara e da Imprensa no sentido de ajudar a conscientizar os consumidores para a economia do produto, para se transpor este período crítico.

DEPUTADO COBRA SOLUÇÃO

Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, o deputado Carlos Pimenta, do PDT, foi outro a externar a apreensão com a crise hídrica no Norte de Minas, especialmente em Montes Claros. O pedetista cumprimentou a Câmara Municipal por acompanhar de perto o problema e ajudar a buscar alternativas para, pelo menos, amenizá-lo. Disse que vai continuar cobrando da diretoria da Copasa, em Belo Horizonte, que dê atenção especial à situação e priorize Montes Claros, uma cidade com mais de 400 mil habitantes e com população flutuante crescente, que precisa receber tratamento especial da empresa.

O parlamentar também disse que recebeu denúncia de que uma empresa de reflorestamento que atua em Juramento perfurou poços na nascente do rio e está usando a água para a irrigação de eucalipto, com o que não de pode concordar. Para Carlos Pimenta, é preciso denunciar estes fatos às autoridades competentes, para que sejam tomadas as devidas providências, porque se está prejudicando a população, que está ficando sem o produto, tendo que conviver com o racionamento, que lhe tem causado problemas.

De acordo com Carlos Pimenta, a Copasa em Montes Claros tem externado preocupação há tempos, com a crise hídrica na cidade, especialmente, mas a direção da empresa em Belo Horizonte, somente deu atenção ao problema há pouco tempo. Para ele, a cidade tem que ser prioridade, pela sua importância no contexto regional e estadual.

MOBILIZAÇÃO – O presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa voltou a defender ampla mobilização das lideranças políticas e classistas, com a finalidade de cobrar do governo federal a viabilização da barragem de Congonhas, ou mesmo redirecionar articulações para a barragem de Jequitaí, na cidade do mesmo nome, cujas obras devem ser retomadas logo, para a captação de água para abastecer Montes Claros, nos próximos anos.

VEREADOR DEFENDE CONGONHAS

Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal e funcionário aposentado da Copasa, o vereador Sóter Magno, do PP, fez coro à colocação do deputado Carlos Pimenta e voltou a defender a realização de intensa campanha com o objetivo de sensibilizar o governo federal a viabilizar o projeto da barragem de Congonhas. Para ele, a barragem é a alternativa mais viável para se garantir o abastecimento da cidade, nos próximos 50 anos. Entretanto, reclama que falta interesse e vontade política do governo federal para tirar o projeto do papel.

Embora entenda que se trata de ação de caráter emergencial, para garantir água nas torneiras na cidade, em curto prazo, o vereador não é defensor do projeto de captação no Rio Pacuí, por entender que o custo é elevado, quase a mesma coisa do investimento para tirar o projeto de Congonhas do papel. “Não podemos desistir de Congonhas. Temos que intensificar a campanha visando à construção da barragem, fundamental para o abastecimento de água na cidade, nos próximos anos”, sustenta.

O vereador chama a atenção para o fato de que, além de garantir o abastecimento de água de qualidade à cidade, o projeto visa a perenização do Verde Grande, um dos principais rios do Norte de Minas, criando perspectiva de aumentar a produção agrícola em seu entorno e gerar centenas de empregos diretos e indiretos.

EMPRESAS – Para Sóter Magno, a crise hídrica tem reflexos diretos na economia da região e, especialmente de Montes Claros, se tornando em fator impeditivo para a vinda de novos empresas para fortalecer a economia e gerar novos postos de trabalho.

TRISTEZA – Natural de Juramento, o vereador Leão, do PSDC, eleito em outubro do ano passado para cumprir o primeiro mandato à Câmara Municipal de Montes Claros, lembrou os tempos em que viva lá e os rios eram caudalosos, com água de sobra. Mas hoje está triste com esta situação, com a barragem sem água suficiente para atender a população montes-clarense.

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