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Atualizado em 07/05/2017

Ministra rouba a cena na estreia do programa “Conversa com Bial”

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Continua repercutindo em todo o País a entrevista que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra montes-clarense Cármen Lúcia  Antunes Rocha, deu ao jornalista Pedro Bial, na estreia do programa “Conversa com Bial”, na última segunda-feira (1º/5), na Rede Globo. Após a atração televisiva, internautas e jornalistas de vários órgãos de Imprensa destacaram a participação da ministra. O que normalmente chama atenção nas estreias na TV é o programa, o formato, o cenário e a desenvoltura do apresentador. Não foi o que aconteceu no primeiro momento com o veterano Pedro Bial.

“A cena da noite foi roubada pela postura e elegância da ministra Cármen Lúcia, que, ao contrário dos padrões de comportamento de autoridades, não fugiu das perguntas e soube conduzir as respostas com muita leveza e, principalmente, verdade”, destacou o jornalista Alexandre Poletto, do BlastingNews. Cada vez mais desenvolta ao longo da entrevista, a ministra Cármen Lúcia achou por bem, a certa altura, se desculpar com Pedro Bial. "Não estou te deixando falar", disse ela, usando frase que talvez nunca tenha sido ouvida por Jô Soares quando comandava o programa, emendou o FolhaPress.

Nascida em Montes Claros e, como ela mesmo se intitula, boa de prosa, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Cármen Lúcia foi a primeira convidada do programa. Quando o assunto é Lava Jato, Delação e Corrupção, Pedro Bial pergunta para a ministra: “Onde é que isso vai parar? Aliás, vai parar?” Com fala mansa e sem perder a esperança, a mineira que, apesar de seus 40 quilos, carrega em seus ombros “a esperança do mundo”, deseja: “Eu espero que pare em um país melhor e que tenha coragem. Somos um povo muito valente”.

Entre muitos assuntos falados estiveram a possível reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) e sua formação em colégio de freira. "Eu vivi em um colégio de freiras dos 11 aos 17 anos. Não fui feliz naquela época e eu não tenho vocação para ser infeliz. Fui estudante de Direito na década de 1970. Então, sei que ninguém pode viver sem liberdade. Quem soube a força da mordaça sabe o gosto de falar”.

RECADO POSITIVO

Focada em seus objetivos, a ministra deixa um recado positivo para o povo brasileiro. “Eu queria que o Brasil acreditasse em duas coisas: dificuldades nós tivemos desde 1500 e vencemos tantas, então vamos vencer mais essa. E que, se estivermos unidos, nós temos mais chances. Eu continuo acreditando no Brasil. Se eu tiver que nascer 100 vezes, eu quero nascer brasileira”. Cármen Lúcia garantiu a continuidade da Operação Lava-Jato e disse acreditar que o Brasil vai superar a crise política e econômica que já causa a maior recessão da história.

“A Lava-Jato não está ameaçada, não estará. Eu espero que aquilo que cantei como Hino Nacional a vida inteira, nós do Supremo saibamos garantir aos senhores cidadãos brasileiros, de quem somos servidores: ‘verás que um filho teu não foge à luta’”, afirmou a ministra. Ela disse ainda não ter noção de onde o país vai chegar depois dessa avalanche de denúncias de corrupção, mas disse crer que será em um “país melhor”.

“O povo não quer mais isso (corrupção)”, disse a ministra, vestida discretamente de calça e blusa pretas. Aliás, o tom otimista marcou toda a fala de Cármen Lúcia. Segundo ela, o País já viveu e venceu enormes crises desde a chegada dos portugueses e fará isso mais uma vez. No entanto, ela cobrou da população uma nova postura em relação a atos de corrupção e avaliou que a sociedade precisa aproveitar essa crise para se refazer. Para ela, não é possível cobrar ética do Estado e não respeitar uma fila. “Não é possível ficar furando fila e falando mal daquele outro que teve direito de furar a fila na licitação”, disse.

GERAZEIROS

Cármen Lúcia disse amar Belo Horizonte e que pretende viver para sempre nela. “Eu só acho graça em Paris porque existe Beagá.” Explicou também para o apresentador a diferença entre “mineiro” e “geraizeiros”, como são conhecidos os povos tradicionais que moram no cerrado do norte-mineiro. “Eu queria ser mineira, mas eu sou geraizeira, duas coisas completamente diferentes. Mineiro toma banana do macaco e deixa o macaco satisfeito, agradecido e devendo favor o resto da vida de uma maneira impressionante. O geraizeiro briga com o macaco quando ele pega a banana dele. O Gerais é o descampado, é o grande sertão. A Minas é das sombras, sem nenhum fatalismo geopolítico”.

Também contou uma anedota sobre o jeito do mineiro de ser. “Ele (o mineiro) fala assim: passa lá em casa, passo mais tarde. Só que quem convida não deseja e quem aceita não acredita. Então não tem erro, porque esse encontro não acontece nunca e ninguém fica com raiva”. Como não é “mineira”, a ministra disse que convida, “faz bolinho” e fica esperando tristemente a visita que não apareceu. (Com informações da TV Globo e do jornal Estado de Minas).

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