ÁREA DO ASSINANTE






Atualizado em 15/05/2013

Sobre a notícia – João Braga Junior

MÉDICOS – No Bom Dia, Brasil dessa segunda-feira, a TV Globo mostrou que a falta de médicos é problema nacional e nem mesmo onde são oferecidos gordos salários e os governos se dispõem a contratar, como em Brasília-DF, a questão se resolve. Lá, disse o comentarista Alexandre Garcia, o governo até contrata para suprir a falta de médicos, mas, metade dos chamados desiste por falta de meios básicos.

CURATIVOS – Durante entrevista radiofônica, sexta-feira passada, o prefeito Ruy Muniz (PRB) procurou desacreditar os ouvintes que queixaram de falta de materiais nas unidades de saúde pública em Montes Claros. A uma ouvinte que disse faltar material para fazer curativo, o prefeito prometeu puxar a orelha de gerente de um posto de saúde no Bairro Independência.

FRALDAS NAS MÃOS – Exatamente uma semana antes, o jornalístico MGTV, da Intertv/Globo, mostrou que, 30 dias após o prefeito garantir ali, ao vivo, que havia regularidade no serviço, continuava faltando fraldas descartáveis para pelo menos metade dos pacientes que precisam e têm direito de buscá-las nos postos de saúde do município.

BÁSICO – Não adianta ficar transferindo a culpa para peixes pequenos, pois, como bem disse o jornalista Alexandre Garcia, “falta o básico, como luvas apropriadas, fio de sutura apropriado, antibiótico apropriado, sonda, roupa cirúrgica. Essa é a mesma causa que afasta os médicos do interior, no sistema público. A falta de equipamentos para fazer diagnósticos os deixa inseguros e desistem. Não se ouve falar que faltem médicos em hospitais privados bem equipados”.

IMPORTAÇÃO – Quanto a trazer médicos de Cuba, Bolívia e outros países, como já foi dito também por aqui, Garcia foi muito feliz ao dizer que médicos estrangeiros só vão se dar bem com a falta de meios e a falta de gerenciamento “se estiverem acostumados com isso, mas, não é vantagem para os pacientes, que continuarão dependendo das ambulâncias das prefeituras, que os levam para cidades com mais recursos, entupindo hospitais com mais recursos e diminuindo a eficiência desses recursos.” Acrescentou que provas feitas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo atestaram que também a formação de médicos no Brasil está deixando a desejar.

PEGA NA MENTIRA – Quem acha que bastaria entregar o Sistema Único de Saúde para as escolas mercantilistas disfarçadas, ou não, de “filantrópicas”, viu maré em Minas e Tadeu inaugurar o Mocão. Em “Pega na mentira”, que compôs com Roberto Carlos, Erasmo Carlos recomenda: “Corta o rabo dela, pisa em cima, bate nela”. Já os caipiras Tião Carreiro e Pardinho cantaram que a mentira é mãe do diabo.

ENXADA – “Começa agora, tome a enxada”. Esta frase teria sido dita pelo japonês Yuji Yamada (PRP), prefeito de Janaúba, ao ser reconhecido por um piolho de comitês eleitorais que o encontrou puxando uma fila de homens capinando canteiro central de uma avenida. Corre também que, diante da recusa do candidato a emprego público, Yuji teria completado: “Brasileiro reclama que é pobre, mas, não gosta de trabalhar”.

HOSPITAIS – Foi Yuji Yamada quem lançou no Norte de Minas a moda de prefeito ir para a porta de hospitais conferir a frequência dos médicos. Quanto a pegar na enxada, ele ainda não fez discípulos por aqui.

IPTU – A quem lhe cobra obras e promessas de campanha, o prefeito de Montes Claros tem dito “faça primeiro a sua parte, pague o IPTU”. Ele reclama que apenas 27 por cento dos contribuintes montes-clarenses pagaram o Imposto Predial e Territorial Urbano neste ano. Especialistas costumam dizer que a frustração com os governantes é a principal causa do não pagamento de tributos. Aqui, neste ano, há que se considerar ainda que a Prefeitura emitiu as guias do IPTU cobrando taxa de limpeza pública maior que a determinada pela Justiça. Mas, é claro, há mesmo frustração em quem pagou o IPVA e continuou sofrendo as conseqüências das ruas cheias de buracos.

ROLETA RUSSA – A “brincadeira” com a qual um rapaz de 16 anos matou a própria mãe, no Bairro Santos Dumont, sábado passado, é a mesma que poderia ter alterado a rota que levou o delegado Alfeu Brauna à elucidação do duplo assassinato dos namorados Fábio Martins e Cláudia Athayde, crime praticado por quatro detetives e que marcou a história de Montes Claros nos anos 1980.

PLANTÃO OCIOSO - Dois investigadores faziam roleta russa durante plantão da Polícia Civil na Rua Doutor Veloso, quando um tiro foi disparado e atingiu uma parede, após “tirar um fino” na cintura do que estava sentado sobre um balcão de alvenaria e que mais tarde viria a ser delegado, hoje aposentado. Dois repórteres que cobriam o “Caso Fábio e Cláudia” e tinham certeza que os dois “trapalhões” não estavam envolvidos no duplo assassinato, decidiram ignorar o fato, para não confundir, nem tirar o foco da investigação que mais interessava à sociedade naquele momento.

FUMO DE ROLO – Naqueles anos, a maconha era mercadoria principal dos traficantes a quem os detetives assassinos tentavam imputar o duplo assassinato, sendo chamada de “fumo” no meio policial. No mesmo dia da roleta russa ignorada, um repórter sarcástico telefonou a radialista que se gabava o mais informado para avisá-lo que policiais levando um homem preso com cinco quilos de fumo seguiam para a Delegacia onde estavam a equipe do Doutor Braúna e muitos repórteres de outros veículos, levando homens presos com cinco quilos de fumo. Por telefone mesmo, de casa, o “furão” transmitiu a notícia aos ouvintes da Rádio Sociedade, fazendo-os acreditarem que estava na delegacia e em minutos voltaria ao vivo para detalhar o esclarecimento do “Caso Fábio e Cláudia”. Mas, o material apreendido era fumo de rolo furtado em uma banca do Mercado Municipal.

BODE – Dizem também que um envolvido com drogas que à época foi torturado pelos verdadeiros autores do crime, que tentaram forçá-lo a assumir as mortes que ganharam repercussão internacional, revoltado com as notícias a respeito, cercou, ameaçou e, sob a mira de revólver, fez sujar as calças um radialista a quem só ao final da conversa mostrou que a arma estava descarregada. A munição estava em um dos bolsos de jaqueta usada pelo homem cuja inocência ficaria comprovada dias depois. Mas, pelo menos até que saia o livro Reminiscência do Zé Maria Repórter, fica a dúvida entre o que é história, ou estória.

MILÍCIAS? – Há em Montes Claros vários casos de jovens assassinados por matadores do tráfico quando estavam “no lugar errado, na hora errada” e foram confundidos com concorrentes invadindo “mercado alheio”, segundo a Polícia. Na região do Bairro Morrinho, onde pelo menos uma jovem universitária já foi morta por engano, há indícios de “patrulhamento” por duplas que transitam em motos e com armas em punho. Na madrugada de sábado passado não foi diferente. O silêncio da população nessas áreas sob domínio do tráfico seria proporcional à queda do índice de arrombamentos de casas e comércios.

TÁXI X JARDINEIRAS – Começou uma nova caçada aos táxis intermunicipais, meio de transporte que ganhou força por causa do desconforto, da freqüência que não satisfaz o usuário e dos preços abusivos das passagens dos ônibus, que só caem quando os taxistas estão ganhando a disputa por passageiros. Pagar para que digam que os ônibus são mais seguros, sinceramente, não convence, nem resolve. O passageiro que sabe o que quer não é bobo. Imagine se ainda hoje tivéssemos apenas um avião de Montes Claros para Belo Horizonte por dia, ou semana. Jardineiras, nunca mais. Vamos legalizar os táxis intermunicipais.

Para ler a notícia completa Assine aqui o JN Notícias


Veja mais sobre COLUNAS
Comentários